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A notícia mordeu o cachorro

Em tempos de violência e de mídia violenta, veio a síntese:

Em Sabará um menino de 6 anos foi atacado por um pitbull, reagiu e mordeu o cachorro. Perdeu um dente que teria ficado preso na pele do bicho.

Detalhe: o menino provocou o cachorro. Nada de vítima impotente de um bicho que virou símbolo da violência urbana no Brasil; só um muleque abusado.

Nada de exclusão social, coitado do menino, nada de pitboys contra prostitutas, nada disso. Só um moleque abusado que "wag the dog".

Claro, virou notícia. É simbólico demais, mesmo com os sinais trocados.



Escrito por estrobo às 11h09
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Escrito por estrobo às 19h19
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Sega lança robô sexy que beija

O lançamento da fabricante de brinquedos japonesa Sega é uma boneca robô de andar malemolente, corpo escultural e que joga beijos.

O público-alvo de E.M.A., um boneca de 38 centímetros, é o de rapazes na faixa dos vinte anos, diferentemente dos robôs anteriores da Sega, que visavam a um público infantil.

Segundo os fabricantes, a robô sexy, cujo nome é formado pelas iniciais das palavras, em inglês, "eterna", "donzela" e "atualização", veio ao mundo para mudar o estereótipo masculinizado associado aos andróides.

"'Força, dureza e batalha são algumas das palavras normalmente associadas a robôs, mas nós quisemos fazer um robô que fosse doce e interativo", diz a assessora de imprensa da Sega Minako Sakanoue.

A boneca tem sensores de infra-vermelho e é capaz de realizar mais de 60 movimentos, entre eles distribuir beijos. Isso quando ela está com o "modo amor" ativado.

"E.M.A. é muito amável. Não é humana, mas pode atuar como uma namorada", diz Sakanoue, acrescentando que a boneca deve ter forte apelo para jovens solitários.

A robozinha sexy deve chegar às prateleiras no Japão em setembro e vai custar o equivalente a cerca de R$ 285.


Escrito por estrobo às 10h09
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as jornalistas também amam (atores)

27/01/2008
Amor Moderno

a noite de encerramento do meu pequeno papel

Melora Wolff

Nas noites de sexta-feira, eu deixo de lado meus livros e trabalhos de alunos e em vez de trabalhar, trabalhar, trabalhar, eu ligo minha TV, coloco um DVD, e lá está ele: um garoto que acreditava que amava há 20 anos e com o qual nunca mais falei, agora estrelando uma série popular de televisão.

Eu estou alugando este homem -quero dizer, esta série de TV- em DVD há semanas, acompanhando de forma viciada com um prato de lasanha equilibrado no colo, apertando a opção "Exibir Todos os Episódios" de forma compulsiva. Eu mantenho uma garrafa de vinho e meus dois gatos perto de mim enquanto estudo este ator, do qual me lembro tão claramente quanto do vestido verde que vesti para ele, da margarita que ele me ofereceu do outro lado de uma mesa à luz de velas, ou do cheiro das gardênias do jardim dele.

Ele era bonito naquela época e tinha consciência de sua beleza, e vejo neste DVD que ele está mais bonito agora e sedutoramente menos consciente. Ele é um homem de meia-idade sólido, que move seu corpo sem embaraço ou orgulho, à vontade em sua pele perfeita. Ele diz suas falas sem afetação. Ele é pragmático, encantador, flertador. Ele bebe de forma discreta. Ocasionalmente, ele mente. E ele parece saber que estou sentada sozinha em uma casa escura, desmobiliada, incapaz de desviar meus olhos enquanto o drama se desenrola.

O Guia de TV que comprei juntamente com minha lasanha congelada informa que ele é um pai coruja, um homem de família discreto que é tímido, especialmente em relação a beijos. Eu viro as páginas, tomo mais vinho.

No último episódio, que já assisti várias vezes, ele corre na minha direção e, por um instante, ele se tornou o jovem do qual me lembro, firme, bronzeado e um pouco fogoso sob minhas mãos. E também vejo uma garota familiar, uma versão minha de 24 anos usando salto alto, vestido verde, batom rosa e uma margarida atrás da orelha. Eu achava que aquela garota não existia mais, mas ela passa esvoaçante por mim usando máscara e roupa de cetim, e sei que reinterpretarei ela a noite toda, ao lado dela.

Memórias
Naquele verão, o drama não estava na TV, mas no palco: "As Três Irmãs" de Chekhov, encenada por uma trupe teatral de verão composta de veteranos, novatos e astros do cinema como meu jovem ator, que já contava com créditos no cinema, seu próprio fã clube e o sorriso contagiante do sucesso precoce.

Quando me lembro daquela época, eu vejo a garota delgada que eu era-"uma assistente de direção" sem direção contratada para o verão- caminhando sozinha no estacionamento atrás do teatro no qual meu ator atuava toda noite usando um monóculo e barba postiça.

A memória se desenrola: eu puxo uma lata de lixo sob a janela de seu camarim e espero. Sentada lá, posso imaginá-lo no palco com Irina, a irmã mais nova, caminhando entre árvores de papel machê. "Não faz sentido", eu sei que ele está dizendo com tristeza para ela, "quando pequenas ninharias estúpidas às vezes se tornam importantes na vida, de repente muito importantes, sem nenhum motivo, sem nenhum motivo".

Eu olho o relógio. Logo, Masha, a irmã do meio, abraça seu amor no portão e ele parte para sempre; meu ator é morto com um tiro por um rival em um duelo; as três irmãs sem amor choram, privadas de romance e de Moscou; as cortinas descem; a platéia permanece silenciosa e finalmente, ele sai pela janela do camarim, pula e me envolve em seus braços. Eu ainda posso ouvir a explosão dos aplausos.

Eu tiro sua barba postiça, retiro o grisalho de seu cabelo e roubo seu monóculo.

"Vamos sair rápido daqui, meu amor", ele diz. Ele não é mais um russo morto, mas um garoto vibrante, e partimos rindo no meu carro enferrujado, meu ator e eu, passando com as janelas abertas diante das colunas iluminadas do teatro, bebendo champanhe na garrafa, nos beijando loucamente e dizendo adeus para as adolescentes que aguardavam na saída do palco por seu autógrafo ou algo mais.

Esta é uma cidade pequena, com muitas garotas comuns como eu à procura de drama e romance, na esperança de que algo especial aconteça. Ele é especial, eu penso, enquanto uma menina loira avista meu carro e chora, "Ai, meu Deus! Ele está indo embora! Impeçam!" Ela corre descalça atrás do meu ator, acenando os braços e chorando, realmente chorando, e ele sai para fora da janela, pingando champanhe.

"Ela é adorável", ele diz. "Vou procurar por ela amanhã!"

Eu dou risada como se não me importasse.

"Ok", eu digo, "eu vou conseguir o nome dela para você!"

Eu posso ser apenas uma contínua de teatro, uma garota invisível, mas posso ver no rosto dele que minha atuação é tão boa que deveria estar interpretando uma das três irmãs de Chekhov, talvez Irina, aquela que ele adora até ser morto.

A estrada nos leva até uma neblina densa entre as árvores. Nós chegamos até seu chalé alugado e ele me carrega até um quarto no sótão, com janelas com vitrais que transformam o clima em algo estranhamente religioso, apesar de nossas gargalhadas incontroláveis, de seu tropeçar desajeitado nos degraus, de meu vestido verde e sapatos jogados, da roupa de cama de seda e dos travesseiros de penas. Eu nunca mais dormirei de novo, eu penso, olhando para o teto. Como posso dormir e sonhar com algo melhor do que alguém tão perfeito?

Enquanto escuto sua respiração, me sinto como se estivesse em uma peça e minha mente vagueia até Moscou no inverno, ou até a garota loira -apenas um pequeno papel, uma ninguém, eu acho- chorando e acenando com seus braços como todas as garotas-ninguém do mundo chorando e acenando seus braços em busca da atenção de alguém.

Dezenas de garotas ocupam os degraus do teatro durante o dia como musas feridas. Elas me passam cartas de amor na esperança de que eu as entregue ao meu ator. Eu também anoto seus telefones para ele. Posteriormente, eu lhe dou todas as cartas, mesmo aquelas escritas de forma errada. Eu sou sua leal mensageira do amor.

Em muitas noites, após a cortina descer, ele me abraça e me diz que me verá depois, talvez amanhã, porque há uma garota adorável acenando para ele com os zíperes abaixados.

"Ok", eu digo. "Divirta-se!"

"Você é pior do que eu", ele sussurra em meu ouvido. "Você não se importa com nada."

Após partir com sua musa, eu permaneço no teatro. Eu caminho pelos bastidores, toco o piano que ele finge tocar no segundo ato, caminho com cuidado pelo palco arrumado para me posicionar como Irina entre as árvores.

As árvores são montadas com cola e tachinhas, mas isto as torna ainda mais bonitas para mim, e percebo que é onde quero permanecer: não no palco, mas vivendo de fato no jardim de Checkhov, sob um céu cinzento, com equipamento pairando no alto.

A temporada da peça chegou ao fim juntamente com o término da estação. O cenário foi desmontado, as árvores cortadas em pedaços, a companhia dispensada e meu ator me pediu para levá-lo ao aeroporto. Eu não tinha idéia do motivo para estar repentinamente tão aborrecida, já que estive no controle durante toda a temporada, ou por que, no portão de embarque, eu esqueci as falas que tinha ensaiado. Eu desejei que estivéssemos nos despedindo em uma estação de trem. Eu mal pude ouvir quando ele disse: "Eu sei que nos veremos de novo!"

"Não, não vamos."

"Nós vamos! Eu vejo você na cidade!"

"Moscou?" eu brinquei.

"Em Los Angeles", ele disse rindo. "Ou em Nova York. Nós nos divertiremos. Vamos cantar karaokê juntos." Ele piscou. "Que tal?"

Eu olhei para ele. Em que peça ele estava?

Ele me abraçou. "Você é a melhor", ele disse calorosamente. E partiu.

Com a chave dele na mão, eu voltei ao chalé para ver o vazio que ele deixou para trás. Mas os cômodos não estavam vazios. Estavam repletos de pertences abandonados: calças, camisas, troco, roupa suja, cartas, cigarros, roteiros, óculos e flores murchas. Ele não queria nada. Aquelas coisas eram apenas adereços e elementos de cena. Refugo.

Soluçando, eu culpei Chekhov -pela minha estação de decepção, por fazer pessoas comuns parecerem importantes e qualquer coisa importante parecer comum, pelo meu caso sem valor.

Volta ao passado
Os créditos começaram a subir no último episódio da série popular de TV e estou um pouco chorosa. Na minha juventude, eu solucei. Agora, eu choro e culpo o final óbvio de uma temporada que amei. Mas continuo otimista. Eu imagino meu ator falando diretamente comigo da tela: Você vê como é a vida, meu amor? Não é divertida? Nada realmente acaba. Eu ainda estou aqui. Você pode praticamente me tocar!

Eu desligo a televisão, vou dormir e sonho com amores que não vejo há anos e -em palavras que gostaria de ter escrito- lhes digo quanto sinto falta deles.

Pela manhã, duas garças azuis passam pela minha janela e me lembro da noite de encerramento da peça, após alguns poucos discursos chatos e uma festa regada a champanhe, meu belo ator correu para o gramado, com garrafa em uma mão. Ele me puxou para a grama, atirou a garrafa longe e abriu seus braços para o céu. Ele disse que não conseguia mais se levantar e que nunca mais se moveria de novo, nunca mais!

Eu me perguntei, o que aconteceria com ele? Ajudantes de palco levariam seu corpo?

"Eu não sou apenas um rosto bonito, sabe", ele disse. "Eu sou bem inteligente. Tudo vai dar certo para mim. Você vai ver."

Mas não assisti nem seus filmes e nem suas séries por duas décadas. "Quem se importa?" eu pensei, seriamente. O calor daquele verão se dissipou completamente e há muito parecia parte da vida de outra pessoa.

Mas ultimamente, à medida que a meia-idade invade o rosto familiar no meu espelho, eu me sinto atraída por aquele outro rosto familiar, na minha televisão, que me leva de volta à garota que já fui, seu corpo deitado na grama, seu cabelo emaranhado, seu vestido escorregando de seus ombros enquanto ria de bobagens com uma euforia que não experimento em eras. Eu quero reviver aquilo, todo aquele festival de verão. Eu quero dizer: isto importa. Eu me importo.

E meu corpo dói quando me lembro de como me desvencilhei dele certa noite, desci suas escadas na ponta dos pés até o ar úmido e abandonei seu corpo estirado em lençóis de sede, o zumbido do ventilador de teto, enquanto me perdia na neblina, dirigindo em círculos. Finalmente eu encontrei o caminho de volta até o quintal dele. Eu desci do carro e fiquei lá parada, com frio, do lado de fora do chalé pensando: Será que devo me despedir apropriadamente? Recomeçar? Será que posso fazer de forma diferente e escrever para ele uma carta de amor? Ou será que devo esconder minha afeição insignificante?

Havia uma chuva leve, as folhas sacudiam no alto e as primeiras luzes do dia começavam a raiar.

"É você meu amor?" Eu ouvi a voz sonolenta do meu ator chamar e me perguntei em quem ele estava pensando. Às vezes, eu ainda me pergunto.



Escrito por estrobo às 11h13
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" A ALEGRIA É A PROVA DOS NOVE"

Autor: Oswald de Andrade

Buscar na Web "Oswald de Andrade"

Quando: Maio de 1928

Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha. Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1



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Escrito por estrobo às 17h40
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2008

http://bloglog.globo.com/blog/post.do?act=loadSite&id=4130&permalink=true

Classificação:

já viu o Boni falando mal do consumismo ?



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Escrito por estrobo às 11h25
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"Dedicatória"

Autor: Mario Quintana

Buscar na Web "Mario Quintana"

Quem foi que disse que eu escrevo para as elites? Quem foi que disse que eu escrevo para o bas-fond? Eu escrevo para a Maria de Todo o Dia. Eu escrevo para o João Cara de Pão. Para você,que está com esse jornal na mão... E de súbito descobre que a única novidade é a poesia, O resto não passa de crônica policial-social-política. E os jornais sempre ploclamam que"a situação é crítica"! Mas eu escrevo é para o João e a Maria, Que quase sempre estão em situação crítica! E por isso as minhas palavras são quotidianas como o pão nosso de cada dia E minha poesia é natural e simples como a água bebida na concha da mão.



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Escrito por estrobo às 17h20
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candomblé na novela das 8

http://bloglog.globo.com/blog/post.do?act=loadSite&id=4070&permalink=true

Classificação:

post do blog de Aguinaldo Silva (sensacional!) sobre a morte da mãe-de-santo de Duas Caras e as religiões afro-brasileiras na TV brasileira



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Escrito por estrobo às 17h00
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LIGA NÃO ALZIRÃO: APENAS DANÇA!

Cena 1: casa na barra/home theater/interior/noite
Um senhor na terceira idade, autor de novelas, aprecia na tela de sua tevê a apresentação de uma dessas chanteuses baianas sem nenhuma voz, mas de uma vitalidade física alucinante. Ela quase não canta (porque na verdade não conseguiria), apenas incentiva o seu público a fazê-lo aos gritos de “e aí, galera!”, enquanto dança e dança. E sobre a sua dança não resta a menor dúvida: ela simula os instantes finais por que passa uma mulher antes do mais alucinado de todos os orgasmos. Tanto que ela termina, muito apropriadamente de cócoras, soltando os gritos e gemidos de praxe.

Cena 2: casa humilde/sala/interior/noiteDiante da tela de tevê, uma menina de uns oito anos de idade vê a mesma cena, com a atenção de quem tenta apreender alguma coisa numa difícil aula de matemática. E sua intenção é mesmo de aprender – ela quer decorar passo por passo daquela dança erótica para depois reproduzi-la, talvez até diante dos olhos extasiados dos pais, na primeira oportunidade, e assim mostrar que também é do babado.

Cena 3: cartório/frente/exterior/dia
Onze horas da manhã, calor horrível. O mesmo autor de novelas na fila à espera que o cartório abra para reconhecer a firma de um documento, o que só pode ser feito em sua presença. Diante dele, uma moça de uns 22 anos também espera. Ela veste apenas um bustiê mínimo de tecido sintético, que deixa ver os bicos túmidos e cada arfar dos seus seios magníficos. E um short que certamente ficaria arrochado até mesmo em sua irmãzinha de cinco anos.
O autor de novelas não resiste e pergunta ao cidadão que está atrás de si, e que também observa a moça:
- Como é que elas fazem pra não ter assaduras?
- Geralmente elas têm – o outro responde - e são verdadeiras feridas. Mesmo assim não abrem mão de usar roupas justíssimas.

Cena 4: Avenidas das Américas/pista de descida/exterior/dia
No táxi, de volta pra casa, seguindo pela pista da direita, o autor de novelas se distrai com a paisagem devastada, quando de repente o carro pára, o motorista se volta pra ele e pergunta:
- Dá licença um instante?
E antes mesmo que o outro responda, desce do carro, vai até uma árvore raquítica, se encosta à pobrezinha, bota as assim chamadas “coisas” pra fora e, diante das centenas de carros e pedestres que por ali transitam àquela hora, simplesmente dá uma mijada!
Enquanto o motorista satisfaz suas “necessidades” atrás da árvore, o novelista se distrai olhando os passantes e seu olhar se detém numa mulher grávida: tem uns trinta anos, usa uma sandália de matar baratas nos pés, no busto uma coisa que só pode ser chamada de “parte de cima de um biquíni” e lá embaixo um short de cujas bordas mínimas lhe salta, como se fosse um daqueles anúncios barulhentos das Casas Bahia, seu barrigão de pelo menos nove meses. Ela caminha por entre os passantes, grávida e nua, orgulhosa e altaneira, e se achando a mais sensual de todas mulheres.
Corta pro motorista mijão. Ele sacode as “coisas”, guarda-as, volta pro carro  ainda fechando o zipper e, antes de retomar o volante e cair no trânsito de novo, apenas diz, a guisa de desculpas.
- Eu tava muito apertado!

Cena 5: casa na barra/home theater/plana/interior/noite
O autor de novelas acompanha o capítulo de ontem de DUAS CARAS: mais uma vez, e de um modo que Deus sem dúvida abençoaria, Flávia Alessandra, essa rara atriz e mulher corajosa, dança diante dos olhos extasiados de Juvenal Antena.  Não é só uma dança, é uma metáfora sobre o direito divino de ir e vir pertinente a cada criatura humana.

Corta, em takes descontínuos, pras casas da chanteuse baiana, dos pais da menina de oito anos, da moça das assaduras, do motorista de táxi mijão e da grávida babilônica: no sacrossanto recesso dos seus lares todos eles reagem horrorizados ao ver a dança de Alzira e proclamam:
- Que coisa mais imoral gente, liga imediatamente pra Brasília e diz que isso não pode!!!

E eu lhes respondo:
- Ora meus queridos vamos deixar de ser hipócritas! Onde vocês pensam que estão: na Espanha franquista?!...



Escrito por estrobo às 13h44
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sexo na tv

http://bloglog.globo.com/aguinaldosilva/index.html

by Aguinaldo Silva, autor de "2 CARAS", novela das 8 no ar na Globo de segunda a sábado, às 9



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Escrito por estrobo às 13h34
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"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda."

Autor: Jung

Buscar na Web "Jung"



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Escrito por estrobo às 15h07
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Escrito por estrobo às 15h04
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Escrito por estrobo às 14h00
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Os nomes da criança

O português falado no Brasil é talvez o mais rico e o mais imoral dos idiomas no que se refere à definição de infância

Cristovam Buarque

A sociedade brasileira criou palavras que distinguem cada criança conforme sua classe, sua função, sua casta, seu crime
Os esquimós têm diversos nomes para indicar a neve. Para eles, cada tipo de neve é uma coisa diferente de outro tipo. Para os povos da floresta, cada mato tem um nome específico. Os habitantes dos desertos têm nomes diferentes para dizer "areia", conforme as características específicas que ela apresenta. Para conviver com seu meio ambiente, cada povo desenvolve sua cultura com palavras distintas para diferenciar as sutilezas do seu mundo. Quanto mais palavras distinguindo as coisas que as rodeiam, mais rica é a cultura de uma população.

Os brasileiros urbanos desenvolveram sua cultura criando nomes especiais para diferenciar o que, para outros povos, seria apenas uma criança.

Para poder circular com segurança nas ruas de suas cidades, os brasileiros do começo de século 21 têm maneiras diferentes para dizer "criança". Não se trata dos sinônimos de antigamente para indicar a mesma coisa, como "menino", "guri", "pirralho". Agora, cada nome indica uma sutil diferença no tipo de criança. O português falado no Brasil é certamente o mais rico e o mais imoral dos idiomas do mundo atual no que se refere à definição de criança. É um rico vocabulário que mostra a degradação moral de uma sociedade que trata suas crianças como se não fossem apenas crianças.

Menino-de-rua significa aquele que fica na rua em lugar de estar na escola, em casa, brincando ou estudando, mas tem uma casa para onde ir - diferenciado sutilmente dos meninos-de-rua, aqueles que não apenas estão na rua, mas moram nela, sem uma casa para onde voltar. Ao vê-los, um habitante das nossas cidades os distingue das demais crianças que ali estão apenas passeando.

Flanelinha é aquele que, nos estacionamentos ou nas esquinas, dribla os carros dos ricos com um frasco de água em uma mão e um pedaço de pano na outra, na tarefa de convencer o motorista a dar-lhe uma esmola em troca da rápida limpeza no vidro do veículo. São diferentes dos esquineiros, que tentam vender algum produto ou apenas pedem esmolas aos passageiros dos carros parados nos engarrafamentos. Ou dos meninos-de-água-na-boca, milhares de pobres crianças que carregam uma pequena caixa com chocolates, tentando vendê-los mas sem o direito de sentir o gosto do que carregam para outros.

Sutis diferenças

Prostituta-infantil já seria um genérico maldito para uma cultura que sentisse vergonha da realidade que retrata. Como se não bastasse, ainda tem suas sutis diferenças. Pode ser bezerrinha, ninfeta-de-praia, nina-da-noite, menino ou menina-de-programa ou michê, conforme o local onde faz ponto ou gosto sexual do freguês que atende. E tem a palavra menina-paraguai, para indicar crianças que se prostituem por apenas um real e noventa e nove centavos, o mesmo preço das bugigangas que a globalização trouxe de contrabando, quase sempre daquele país. Ou menina-boneca, de tão jovem que é quando começa a se prostituir, ou porque seu primeiro pagamento é para comprar a primeira boneca que nunca ganhou de presente.

Delinqüente, infrator, avião, pivete, trombadinha, menor, pixote: sete palavras para o conjunto da relação de nossas crianças com o crime. Cada qual com sua maldita sutileza, conforme o artigo do código penal que cabe, a maneira como aborda suas vítimas, o crime ao qual se dedica...

Podem também, no lugar de crianças, serem boys, engraxates, meninos-do-lixo, recicladores-infantis, de acordo com o trabalho que cada uma delas faz.

Ainda tem filhos-da-safra, para indicar crianças deixadas para trás por pais que emigram todos os anos em busca de trabalho nos lugares onde há empregos por bóias-fria, nome que indica também a riqueza cultural do sutil vocabulário da realidade social brasileira. Ou os pagãos-civis, vivendo sem registro que lhes indique a cidadania de suas curtas passagens pelo mundo, em um país que lhes nega não apenas o nome de criança, mas também a existência legal.

Criança-triste

Como resumo de todos estes tristes verbetes, há também criança-triste: não se refere à tristeza que nasce de um brinquedo quebrado, de uma palmada ou reprimenda recebida, ou mesmo da perda de um ente querido. No Brasil há um tipo de criança que não apenas fica ou está triste, mas nasce e vive triste - seu primeiro choro mais parece um lamento pelo futuro que ainda não prevê do que um respiro no novo ar em que vai viver, quando pela primeira vez o recebe em seus diminutos pulmões.

Criança-triste, substantivo e não adjetivo, como um estado permanente de vida: esta talvez seja a maior das vergonhas do vocabulário da realidade social brasileira. Assim como a maior vergonha da realidade política é a falta de tristeza no coração de nossas autoridades diante da tristeza das crianças brasileiras, com as sutis diversidades refletidas no vocabulário que indica os nomes da criança.

A sociedade brasileira, em sua maldita apartação, foi obrigada a criar palavras que distinguem cada criança conforme sua classe, sua função, sua casta, seu crime. A cultura brasileira, medida pela riqueza de seu vocabulário, enriqueceu perversamente ao aumentar as palavras que indicam criança. Um dia, esta cultura vai se enriquecer criando nomes para os presidentes, governadores, prefeitos, políticos em geral que não sofrem, não ficam tristes, não percebem a vergonhosa tragédia de nosso vocabulário.

Quem sabe não será preciso que um dia chegue ao governo uma das crianças-tristes de hoje, para que o Brasil torne arcaicas as palavras que hoje enriquecem o triste vocabulário brasileiro e construa um dicionário onde criança... seja apenas criança. 


Cristovam Buarque é professor da UnB e senador (PDT/DF)


Escrito por estrobo às 13h53
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O Q VC QUER DA TV DIGITAL ?

http://bloglog.globo.com/blog/post.do?act=loadSite&id=3260&permalink=true

Classificação:

enquete do Boni



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Escrito por estrobo às 10h46
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